sexta-feira, 24 de maio de 2013

Conjecturas


Ele caminhou devagar, sem muito interesse, até a esquina onde a barreira policial havia sido montada. Um pequeno aglomerado de cabeças parecia sufocar um chapéu da polícia, e mesmo de longe era capaz de imaginar as perguntas tolas e as respostas evasivas. Atrás da faixa amarela de plástico, um corpo de mulher no chão era fotografado e examinado com preguiça por três peritos. Um deles batucava com um lápis a prancheta, sem o menor interesse pela falecida. O outro, ajoelhado, tinha cara de poucos amigos e dava indicações para o fotógrafo registrar os detalhes. Ele, de terno e gravata discretos, passou por baixo da faixa amarela sem ser notado.

- Perfuração? - Ele apontou para o corpo da moça sem alterar o tom de voz.

- Não, nada. - O fotógrafo disparou a câmera uma vez mais.

- Nem por arma branca?

O rapaz da prancheta olhou para ele de cima a baixo.

- Ah, colega, ainda estamos nas preliminares. - Sorriu disfarçadamente. - Sabe como é, devagar e com carinho... Temos que fazer render isso aqui para matar o tempo.

O perito que estava ajoelhado junto ao corpo falou alto.

- Possível escoriação no cotovelo.

O rapaz da prancheta anotou.

- Ninguém morre por bater o cotovelo. - Ele sussurrou. O rapaz da prancheta deu uma gargalhada que rendeu olhares ferozes do perito ajoelhado. Voltou a rabiscar no papel.

- Escoriação no cotovelo...

O fotógrafo tirou um 'close' do cotovelo direito.

- Possível escoriação no cotovelo esquerdo, esquerdo! - O homem de joelhos gritou sem olhar para trás.

Ele olhou para o fotógrafo em solidariedade. Mais uma fotografia. 

- Até agora, o que se descobriu? - Ele aproximou-se do rapaz da prancheta.

- Não muito. Mulher branca, cabelos ruivos, classe média alta, nenhum documento na bolsa, só quilos e quilos de maquiagem. - O rapaz riu pelo nariz. - O assassino deve ter feito a limpa na carteira da dona aí, tudo leva a crer que foi roubo seguido de morte.

- Não foi.

- Ou então ele fez a limpa na cena do crime. Não tem nada aqui, só ela e a bolsa caída.

- Ele não retirou nada do local do crime. 

- Como sabe disso? - O rapaz da prancheta coçou a barba com a caneta.

- O crime parece ter acontecido há pouco tempo. Não duvido que o assassino ainda esteja por perto, talvez até assistindo o trabalho da perícia.

Os três policiais entreolharam-se, incomodados.

- Mas ele deve ter tido tempo de limpar as provas. - O rapaz da prancheta tentou simular uma autoridade que não tinha. - Ou então teríamos mais elementos...

- Pois é... Não há sangue, perfuração, disparo de arma de fogo, nada. - O fotógrafo tirou uma fotografia de corpo inteiro da morta.

- Concussão cerebral.

- Como? - O perito ajoelhado no chão engatinhou até as pernas do cadáver - De onde o colega tirou isso?

- Concussão cerebral severa. A moça deve ter levado alguma pancada bem forte na cabeça, ficou tonta, caiu no chão e, sem o socorro adequado, o óbito...

- Tolice. - O perito ergueu uma das pernas do corpo estendido à porta do depósito. - Uma concussão cerebral deixaria ela tonta, fora de si, mas nunca...

- Uma concussão cerebral severa, eu disse. - Ele interrompeu o perito com sua autoridade de terno escuro bem cortado. - Começou com uma tontura, mas pode ter evoluído rapidamente para algo fatal. O colega deve saber disso.

O perito que agora examinava a cabeça da mulher morta olhou para ele com fúria contida.

- Tiro uma fotografia da cabeça? - O fotógrafo disparou a câmera sem esperar a resposta.

- Não vai adiantar muito, se a causa mortis foi mesmo uma pancada violenta e precisa na nuca que levou à concussão cerebral sem deixar hematomas ou vestígios. - Ele retirou do bolso do paletó uma cigarreira de prata. - Aceitam um mentolado?

O rapaz da prancheta e o fotógrafo avançaram sobre o estojo.

- Mas pensei que fossem proibidos agora de vender cigarros com aditivos. - O perito levantou-se do chão.

- Há leis neste país que demoram muito a entrar em vigor. - Ele estendeu a cigarreira para o perito. - Enquanto não nos prendem por fumar, você é meu convidado.

Os quatro homens desfrutaram de um momento de fraternidade em torno da pequena nuvem de fumaça e cumplicidade. No chão, a ruiva sem nome seguia com os olhos abertos em pavor cristalizado.

- Concussão cerebral? - O perito deu uma longa baforada.

- Acho que fica bem no relatório. - Ele jogou o cigarro pela metade no chão e pisou com seu sapato de verniz. - É uma tese ousada, mas não há outra possibilidade já que o legista não vai encontrar drogas ou álcool no corpo dela. 

- E como o colega sabe disso? - O rapaz da prancheta imitou o perito.

Ele sorriu com a paz dos que nada temem.

- São só conjecturas. É isso que nos distancia daquelas pessoas comuns atrás da faixa amarela.

Os três policiais deram uma última baforada, enquanto pensavam nas agruras de seu serviço olhando o pequeno mar de rostos curiosos.

- O colega é muito seguro das suas conclusões.  - O perito jogou seu cigarro em um canto do depósito e voltou-se para melhor guardar-lhe a fisionomia. - Em que unidade trabalha mesmo?

Mas ele já ia longe, além da multidão, carregando displicente a bolsa da mulher sem vida. 

(Robertson Frizero)

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Jay Gatsby e a frivolidade do mundo

F. Scott Fitzgerald
Harold Bloom, um dos mais consagrados críticos de literatura das últimas décadas e professor das renomadas universidades de Yale e Nova Iorque, considera-o um dos três autores mais relevantes da prosa literária estadunidense do século XX. Thomas C. Foster, professor da Universidade de Michigan, afirma que "se a literatura americana moderna consistisse de um único romance, e esse romance fosse" sua obra-prima, O Grande Gatsby, "poderia ser o bastante". O próprio F. Scott Fitzgerald, sem qualquer laivo de modéstia, escreveu para seu editor em 1924 dizendo que achava que seu romance era "provavelmente o melhor romance americano já escrito". Diz ele, ainda na mesma carta, que a obra "é brutal em algumas passagens" e termina com uma advertência cuidadosa: "Espero que você não se inquiete".

O Grande Gatsby tornou-se, de fato, ao longo dessas quase nove décadas desde sua primeira edição, em 1925, o grande romance estadunidense. Pouco bem sucedido em seu primeiro ano - o editor escreveu a Fitzgerald reportando que o livro não vendera mais que vinte mil cópias, um número desanimador para o mercado norte-americano de então -, o livro ganhou força ao longo dos anos e ares de profecia quando, cinco anos depois, o crack da Bolsa de Valores de Nova Iorque fez ruir o mundo glamuroso e frívolo da Long Island retratada pelo autor na história de Jay Gatsby, um milionário recluso e misterioso, cuja fortuna ninguém sabe ao certo de onde veio e que esconde uma melancolia somente desvendada com a chegada, no início da obra, do jovem interiorano Nick Carraway, o narrador do romance. 

Leonardo DiCaprio e Carey Mulligan
em O Grande Gatsby (2013)
Fitzgerald pretendia mostrar, em O Grande Gatsby, a que caminhos levariam os excessos e a frivolidade do mundo no qual ele mesmo estava imerso - interiorano, nascido em uma pequena cidade do estado de Minesota, o escritor foi alçado às grandes rodas da aristocracia graças ao casamento com Zelda Sayre, uma moça da mais fina sociedade sulista, e ao sucesso de seu primeiro romance; com ela, viveriam algum tempo em Paris e excursionariam pela Europa, muitas vezes em um padrão de vida superior às suas possibilidades. Não por acaso, Nick Carraway tem a mesma história de vida do que fora o jovem Fitzgerald: chegando do interior em busca de novas possibilidades na cidade grande, ele acaba por se envolver com o mundo dos milionários e suas excentricidades, mas sem jamais perder o olhar crítico e distante sobre seus hábitos e dramas existenciais.


No romance, Nick emprega-se como vendedor de títulos e aluga um chalé modesto de madeira instalado entre os imensos jardins da propriedade de Jay Gatsby - habitação mais barata que encontrara para viver perto de Nova Iorque. Morando em Long Island, Nick reaproxima-se da prima distante Daisy Buchanan, casada com Tom, um ex-colega de faculdade do rapaz; Ao conhecer Jay Gatsby, após encontrá-lo em uma das suntuosas festas que ele oferecia sem nada delas desfrutar, é que o rapaz descobre que Gatsby e Daisy tiveram um affair no passado - e que Gatsby dedicara toda a sua vida depois da guerra para recuperar a mulher amada. Mas Daisy, de berço aristocrata, preferira casar-se com Tom e sua fortuna, ainda que o esposo tenha uma amante a qual não faz questão alguma de esconder, uma Sra. Wilson cujo marido é dono de um posto de gasolina esquecido a caminho de Nova Iorque e que vive sonhos de grandeza em um minúsculo apartamento em Manhattan onde mantém vivo o seu caso amoroso.

O outdoor no filme O Grande Gatsby (1974)
O espaço físico é determinante no simbolismo proposto por Fitzgerald: se Long Island é a ilha dos sonhos, distanciada pelas brumas da ostentação e da vida ociosa de seus ricos moradores, Nova Iorque parece ser a turbulenta e frenética realidade das classes menos abastadas, da qual todos querem fugir. Entre uma e outra, o autor descreve um vale de cinzas - na vida real, um terreno abandonado e amplo no qual depositavam resíduos industriais - no qual se localiza o posto de gasolina e oficina mecânica do Sr. Wilson: um lugar que muitos associaram simbolicamente à pobreza e à desesperança, mas que Fitzgerald faz ser observado por um imenso outdoor abandonado de um oculista: um par de olhos azuis gigantescos com um óculos que lhe dava um aspecto ainda mais sombrio - uma espécie de olho de Deus a registrar cada passo da tragédia que se desenha ao longo do livro. As residências também marcam espaços metafísicos: a mansão de Gatsby é enorme, dando o aspecto de solidão e melancolia da própria alma de seu dono; o apartamento de Manhattan é um tosco arremedo de sofisticação que serve para Myrtle se sentir rica e Tom afastar-se do excessivo luxo de seu cotidiano; a casa do narrador, um chalé de madeira sem qualquer atrativo, parece ser um pedaço de consciência verdadeira quase sombreado pelas mansões vizinhas.

Robert Redford, o Gatsby do filme de 1974
Transitando nesses espaços, Nick acompanha as festas na mansão gigantesca de Gatsby e os encontros de Tom e Myrtle Wilson no apartamento minúsculo de Manhattan com o mesmo interesse pelo intrincado jogo de espelhos que, ao longo da trama, revela serem todos aqueles personagens movidos por um único objetivo: viver uma vida que não lhes pertence: se Myrtle Wilson sonha com uma vida de glamour que jamais terá casada com um mecânico medíocre em meio às cinzas do terreno de descarregamento de dejetos industriais onde mora, Tom Buchanan mantém a amante para brincar de ser proletário quando o peso das convenções sociais e da elegância o oprimem; se Daisy Buchanan escolheu viver com um homem que não ama em detrimento do amor puro de Gatsby, este também joga com todas as suas armas para jamais revelar a origem de sua fortuna angariada para conquistar Daisy. Distante da hipocrisia e desse jogo feroz de aparências, Mr. Wilson, o esposo de Myrtle, será o algoz e a vítima que, duplamente traído, interromperá aquele estranho baile de máscaras.

FITZGERALD, F. S.
O Grande Gatsby
(Leya, 2013)
O grande valor de Fitzgerald, além de sua visão magnífica sobre toda uma era que viveu intensamente, é o labor literário com o qual conduz o leitor a tirar suas próprias conclusões sobre as motivações de cada personagem. O livro, totalmente contemporâneo por ocasião de seu lançamento, ainda hoje encanta por suas cenas vivas e diálogos reveladores - alguns deles, sobretudo na voz de Daisy Buchanan, retirados de falas e de escritos dos diários de sua esposa Zelda, confidenciaram depois amigos do escritor -, embora seu quase centenário tenha transformado o livro em um retrato essencial de uma era conhecida como os anos loucos da sociedade americana.

(Robertson Frizero)




segunda-feira, 18 de março de 2013

Fridolin e a realidade dos sonhos

Arthur Schnitzler
Um dos mais profícuos autores e dramaturgos da primeira metade do século XX, Arthur Schnitzler (1862-1931) passaria muitas décadas ofuscado pela obra de outros autores austríacos e alemães contemporâneos seus, não pela qualidade de seus escritos mas, sobretudo, pelas controvérsias em torno do teor de seus escritos, tanto em suas peças teatrais quanto em seus textos em prosa. 

Se hoje a obra de Schnitzler vive um merecido renascimento, muito se deve à novela literária Breve Romance de Sonho (1921), resgatada pelo cinema na adaptação modernizada do texto feita por Stanley Kubrick em seu De Olhos Bem Fechados (1998), canto do cisne do cineasta norte-americano estrelado por astros como Tom Cruise e Nicole Kidman. O breve texto de Schnitzler, no entanto, carrega quase todos os méritos pelo sucesso do filme - nele estão presentes praticamente todos os elementos de escândalo que levaram multidões aos cinemas -, acrescidos daqueles que talvez sejam os grandes talentos de Schnitzler: escrever em uma prosa límpida e envolvente, bem como contar uma história que absolutamente torne impossível ao leitor abandonar a narrativa antes do desenlace final.

Em Breve Romance de Sonho, somos apresentados nas primeiras páginas do livro ao casal Fridolin e Albertine em uma cândida cena familiar na qual contam uma história das Mil e Uma Noites para a pequena filha; médico em início de carreira, Fridolin mantém com Albertine um matrimônio harmônico, exemplar, que será rompido pela conversa que terão sobre o baile da noite anterior. As provocações entre os cônjuges sobre flertes e olhares com outros convivas leva a uma conversa mais tensa sobre fantasias do passado, e Albertine acaba por confessar a Fridolin que trocara olhares com um homem hospedado no mesmo hotel que eles no verão passado; incomodado com a revelação, Fridolin também conta ter se sentido atraído por uma jovem nadadora. A conversa leva-os à promessa de que, a partir de então, irão contar um ao outro sobre desejos desse tipo que surjam à mente. A esposa, sorrindo, conta-lhe então que teria se entregado a ele antes do casamento, de tão apaixonada que estava por ele. Fridolin, estranhamente, entende que isso seria um sinal de que Albertine poderia ter se deixado levar por qualquer homem e sai de casa, aflito, para atender um paciente moribundo.

O que se sucede nessa breve novela a partir desse primeiro capítulo é um genial emaranhado de situações nas quais Schnitzler vai expor a natureza contraditória dos desejos do homem ferido em seus brios masculinos. Fridolin age movido pelo desejo, um sentimento que mistura a vontade de trair a esposa por vingança e o impulso de se lançar em aventuras nunca vividas. Tudo isso é precipitado por uma declaração de amor inesperada vinda de Marianne, a filha do paciente que vai visitar e que já encontra morto em seu leito. Fridolin sai daquela casa e começa a vagar por Viena, cruzando em seu caminho com prostitutas, pedófilos e, por fim, uma orgia secreta de mascarados da qual é expulso e ameaçado de morte, sendo salvo por uma das convivas que dele se apieda.

Mas nada em Schnitzler é fácil de definir. A novela caminha por uma eterna penumbra, e não são raras as metáforas que o autor austríaco faz com a luz e a sombra. Quase todas as cenas em que Fridolin depara-se com seus desejos sexuais reprimidos acontecem no escuro, desde a revelação do amor de Marianne, prometida em casamento a um médico mais bem sucedido que Fridolin, à dança orgíaca entre monges mascarados e freiras nuas de rosto coberto por véus negros. Excitado por todos os acontecimentos da noite, Fridolin é surpreendido com o sonho que lhe conta Albertine, muito mais rico em transgressões que as pequenas aventuras que ele vivera. No dia seguinte, à luz do dia, Fridolin tentará refazer o mesmo caminho de sonho da noite anterior, com surpreendentes revezes. Ao retornar para casa, Fridolin encontrará Albertine adormecida; no seu lado da cama do casal, a máscara que usara na noite anterior e tentara esconder da esposa.
Alice aguarda o esposo dormindo ao lado de sua máscara:
Nicole Kidman em cena de "De olhos bem fechados"

Sigmund Freud, contemporâneo de Schnitzler, dizia ter medo de conhecer pessoalmente o escritor, por considerá-lo seu duplo - em carta, disse que tinha "a impressão de que [Schnitzler] aprendera pela intuição — em verdade, o resultado de sua altamente sensível introspecção — tudo o que [ele, Freud] teve que aprender pelo trabalho laborioso de observação e estudo de diversos casos de seus pacientes". Escrito em uma linguagem objetiva e, ao mesmo tempo, nebulosa, abrindo caminho para diversas interpretações, a novela de Schnitzler é tão memorável que Kubrick não teve pudores de inserir em sua versão contemporânea da história todas as situações do livro e alguns diálogos em sua integralidade. Breve Romance de Sonho leva o leitor a acompanhar as sensações e frustrações de Fridolin em sua busca  — primeiro, de uma tola vingança real ao que fora apenas um desejo jamais realizado pela esposa; depois, de respostas no universo subterrâneo que sua noite de sonho desperto o leva a conhecer. Como os tantos outros seres que vai encontrar em sua breve jornada, Fridolin também carrega uma máscara que lhe dá a sensação de liberdade diante dos ditames do mundo, mas que se mostra igualmente uma prisão da qual pode ser difícil se libertar. Entre sonho e realidade, Fridolin e Albertine precisarão decidir se seguem a valsa da vida social ou deixam para trás o baile de máscaras.

(Robertson Frizero) 

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Apontamentos para um thriller conspiratório vaticano

Vaticano, tempo futuro. A fumaça branca sobe pela chaminé montada no telhado da Capella Sixtina especialmente para a ocasião. Na Praça de São Pedro, o som é ensurdecedor.

O nome do novo Sumo Pontífice espalha-se pelo mundo. Cinco minutos depois, as câmeras de televisão registram, em uma janela de Castelgandolfo, a imagem do papa renunciante saltando para a morte na pequena praça pública. O resto é silêncio.

(Robertson Frizero)

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Deuses e homens

De meus sonhos castrados
E lançados ao mar
Não vi nada brotar
Em festa de brocados

Afrodite alguma
Ou qualquer torpe musa
Surgiu casta e reclusa
Feita de glória e espuma

O que trouxeram as vagas
E vieram dar nas fragas
Deste mar de sargaços

Foram as mesmas chagas 
Cerceadas nas bragas
De meus próprios cansaços.


                            (Robertson Frizero)